Pormenores na vida

 

 

Dizer-te que são os pormenores que fazem toda a diferença, não será para ti causa de admiração, nem muito menos uma novidade, aliás, já nem o Continente é novidade!

Contudo, há uma clara diferença entre o que sabemos e o que de facto colocamos em prática. Sabes que se não estudares para o exame será difícil de atingires um bom resultado; numa equipa de futebol se não houver entreajuda será difícil vencer o adversário; se não usares o cinto de segurança, em caso de emergência ou acidente podes sofrer graves consequências, além de te sujeitares a uma multa; ouvir música em alto volume é prejudicial para os ouvidos; se andares à chuva…

Tudo isto são só exemplos de situações reais – do nosso dia-a-dia –, mas que na hora de agir nem sempre o fazemos da maneira correcta, talvez por comodismo ou porque fazemos ouvidos de mercador e preferimos pensar que estas coisas são só para ficar bonitas no papel ou da boca para fora!

Por vezes dou por mim a pensar na importância das pequenas coisas, dos pequenos gestos na vida de uma pessoa.

Quanta alegria houve naquele telefonema ou mensagem que enviaste àquele amigo com que não falavas há muito tempo? E aquele sorriso que deste àquela idosa que andava a fazer compras no supermercado? E a pequena conversa que tiveste com aquele homem, que apesar de não conheceres, pacientemente ouviste enquanto estavas à espera de ser atendido no balcão dos CTT? E quando chegaste junto ao grupo de pessoas e disseste “Bom dia”? E quando saías da loja e cedeste a passagem a outra pessoa que ia a entrar? E quando olhaste o nascer do sol e deste graças a Deus pela vida?

Já imaginaste a importância de um pormenor deste género? Para quem o deu talvez o considere tão insignificante que nem se apercebe da sua beneficência, mas quem o recebeu, só ele sabe a riqueza daquele gesto.

Como é tão simples proporcionar um bocadinho de alegria àquele que passa!

No nosso dia-a-dia não faltam oportunidades para de um pequeno gesto fazermos toda a diferença: tornar agradável a vida sabendo desculpar, fazer boa cara quando estamos aborrecidos por qualquer coisa, desdramatizar os pequenos contratempos que sempre acontecem, aprender a ter uma ideia positiva das pessoas e dos factos, ter suficiente perspicácia para recorrer ao sentido de humor sempre que for necessário e outras tantas coisas que tu saberás acrescentar a esta pequena lista.

A convivência deve ser uma escola onde se ensaiam, se formam e se cultivam os principais valores humanos: o espírito de colaboração e de serviço, a generosidade, a capacidade de compreensão, a fortaleza, a paciência, a sinceridade... um sem fim de pormenores que no final fazem toda a diferença.

Uma mãe e um bebé, camelos, estavam por ali, à toa, quando de repente o bebé camelo perguntou:
– Mãe, mãe, posso perguntar-te umas coisas?
– Claro! O que está a incomodar o meu filhote?
– Porque é que os camelos têm duas bossas?
– Sabes filho, nós somos animais do deserto, precisamos das bossas para reservar  água e por isso mesmo somos conhecidos por sobreviver bastante tempo sem água.
– Certo, mãe, e porque é que as nossas pernas são longas e as nossas patas arredondadas?
– Filho, certamente são assim para permitir caminhar no deserto. Sabes, com estas pernas eu posso movimentar-me melhor pelo deserto, de forma mais fácil do que qualquer outro! – disse a mãe, toda orgulhosa.
– Certo! Então, porque é que as nossas pestanas são tão longas? De vez em quando atrapalham a minha visão!
– Meu filho! As pestanas longas e grossas são como que uma capa protectora para os nossos olhos. Elas ajudam na protecção dos olhos quando atingidos pela areia e pelo vento do deserto! – respondeu a mãe com uma certa vaidade no rosto...
– Está bem! Então as bossas são para armazenar água enquanto andamos no deserto, as pernas para caminhar através do deserto e as pestanas grandes são para proteger os meus olhos quando há areia no ar no deserto.
Então o que é que estamos a fazer aqui no jardim zoológico?!

Esta história, com tom anedótico, mostra-nos que todos temos imensas capacidades, conhecimentos, habilidades, experiências… que só são úteis se estivermos no lugar certo e atentos ao que nos rodeia.

A oferta da viúva pobre, que nos relata o Evangelista S. Marcos, é um episódio também ele com uma particularidade que valoriza o gesto e não o valor monetário: «Estando sentado em frente do tesouro, observava como a multidão deitava moedas. Muitos ricos deitavam muitas. Mas veio uma viúva pobre e deitou duas moedinhas, uns tostões.
Chamando os discípulos, disse: «Em verdade vos digo que esta viúva pobre deitou no tesouro mais do que todos os outros; porque todos deitaram do que lhes sobrava, mas ela, da sua penúria, deitou tudo quanto possuía, todo o seu sustento.»» (Mc 12, 41-44)

Que o Menino Jesus nos ajude a estarmos atentos aos pormenores e a pratica-los para o bem dos que cruzam o nosso caminho.

Menino Jesus de Praga, sê jovem na nossa juventude.


jmjp@santuariomeninojesus.org

(Mensageiro nº 162 Janeiro-Fevereiro 2010)