Há uma força dentro de nós que muitas vezes não nos damos conta e da qual fazemos uso diário.
Umas vezes com mais intensidade, outras com menos, mas esta sempre acaba por estar presente – a força de vontade.
Para nos levantarmos da cama, para superar aquele exame mais complicado ou vencer uma doença, aí estamos a servirmo-nos das suas potenciais propriedades.
Ter vontade significa ter intenção de fazer determinada coisa, mesmo que custe.
A vontade é tão importante como a inteligência. Se for forte e vigorosa, fará que nos empenhemos na conquista dos nossos ideais; que avancemos quando surgirem dificuldades e os ventos forem contrários aos nossos desejos.
Estar motivado é o grande dilema da vontade, pois aquilo que motiva é que desencadeia a vontade e a torna capaz de superar as dificuldades, obstáculos e cansaços próprios do esforço, com facilidade e boa disposição.
Neste sentido, é importante que saibamos educar a vontade, pois não a recebemos de forma hereditária como a cor dos olhos ou a estatura.
A vontade é uma aspiração que exige uma série de pequenos ensaios e esforços até que, uma vez educada, se estabiliza e produz fruto; é determinação, firmeza nos propósitos, solidez nos objectivos e ânimo perante as dificuldades.
Se não tiveres a vontade minimamente educada assemelhas-te a uma floresta inexplorada, através da qual não foram abertos caminhos nem espaços desentupidos dos ramos do bosque.
Assim vai crescendo uma pessoa diminuída, desorientada, que não se atreve a avançar por ter cedido com demasiada frequência.
A Pessoa com pouca vontade está ameaçada porque, pouco a pouco, vai ficando mais vulnerável e qualquer coisa, por pequena que seja, fá-la-á ir por outros caminhos. Foge à obrigação e opta pelo que lhe apetece, pelo que mais lhe agrada nesse momento concreto, pois não lhe custa muito contrariar-se.
Ter vontade significa ter intenção de fazer uma coisa, mesmo que custe. A intenção surge quando nos apetece qualquer coisa que não temos, mas que pretendemos obter, embora seja preciso, até alcançar o objectivo, vencer alguns obstáculos.
Conta a velha história, que certa vez, duas moscas caíram num copo de leite…
A primeira mosca – forte e valente – assim que caiu, nadou apressadamente até à borda do copo… mas a superfície era muito lisa e as suas asas molhadas impediram-na de trepar… ao ver-se neste beco sem saída, a mosca forte e valente desanimou, parou de nadar e afundou-se…
A sua companheira de desgraça – mais fraquinha – no meio daquela aflição não parava de nadar na ânsia de chegar à borda do copo… tanto tempo se debateu que aos poucos, e com tanta agitação, o leite ao redor foi-se transformando e formou um pequeno nódulo de manteiga para onde a mosquita subiu com muito esforço, esperou que as asas ficassem secas e voou para lugar seguro.
Tempos depois – por descuido ou novo acidente – a mosca fraquinha e persistente voltou a cair num copo.
Baseada no êxito da sua experiência anterior, começou a nadar confiante que a seu tempo aconteceria o mesmo e assim se salvaria.
Outra mosca, que por ali passava, ao ver a sua colega em aflição, pousou na borda do copo e gritou: «Está ali uma palhinha… um canudinho; sobe por ele e já não te afogas!».
A nossa teimosa amiga, não lhe deu ouvidos e baseada no sucesso da experiência anterior, continuou a nadar e a debater-se até que exausta, afundou-se num copo de água!
Apesar de por vezes pensarmos que temos força de vontade “à fartazana”, não nos esqueçamos de a usar acertadamente e ao mesmo tempo é importante saber dar ouvidos às vozes de outras “moscas” que vivem ao nosso lado, que aparecem no nosso caminho e que nos querem bem.
Lutar implica esforço, batalhar contigo mesmo, recusar fazer só o que te apetece, exercitar-te por alcançar os pequenos objectivos a que te propões e em vencer todo o tipo de adversidades até conseguires.
Quem chegar a ter uma vontade forte, tê-la-á conseguido, certamente, como resultado de uma luta pertinaz contra si próprio. É esta vontade amadurecida numa luta firme e constante, que te faz perseverar nas atitudes escolhidas. Se aquilo que te move for uma coisa boa, a razão diz-te que vale a pena esforçar-te por ela.
Jesus é a prova de quem não se deixou levar pelo facilitismo, dando testemunho da importância dessa força de vontade para cumprir a missão que Deus lhe confiara. No Monte das Oliveiras, pondo-se de joelhos, começou a orar, dizendo: «Pai, se quiseres, afasta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua» (Lc 22, 42); No deserto foi tentado pelo diabo, (Mt 4, 1-11) mas soube vencer as tentações; e tantas outras passagens que nos mostram a perseverança de Jesus.
Que o Menino Jesus, nos ajude a educar a nossa força de vontade e a sabermos usa-la com bom proveito.
Menino Jesus de Praga, sê jovem na nossa juventude.
jmjp@santuariomeninojesus.org
(Mensageiro nº 157 Março-Abril 2009)
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