Sempre à procura

 

 

Deparamo-nos inúmeras vezes com situações em que procuramos algo.
O caderno, o telemóvel, uma receita para o jantar, umas calças novas, um presente para oferecer, os óculos, aquele papel importante, uma imagem, um abraço, ajuda para um trabalho, um caminho, a felicidade...
Será que já te apercebeste de quantas vezes andas à procura durante o dia?

Há coisas que acabam por aparecer, outras porém, até agora, nunca as encontramos. Pensávamos que faziam falta, mas afinal até somos capazes de prescindir delas!

Palavras como: GOOGLE, SAPO, AEIOU, BING, YAHOO, LYCOS, são-te familiares?
Pois é, são páginas na internet, associadas a determinada empresa, onde é possível pesquisar. Por outras palavras são os chamados “motores de busca”.

Há uma enorme quantidade de informação na Internet (vários milhões de documentos), e estas informações são, na sua maior parte, renovadas diariamente.
Os motores de busca surgiram logo após o aparecimento da Internet, com a intenção de prestar um serviço extremamente importante: a pesquisa de qualquer informação na rede, apresentando os resultados de uma forma organizada, e também com a proposta de fazer isto de uma maneira rápida e eficiente.

Quando pretendemos procurar algo, basta introduzir as “palavras-chave” no formulário, seguido do habitual Enter, e logo nos é apresentado os resultados da nossa pesquisa, o que em muitas situações, é um “mar” de informação!

Olhando para esta realidade, penso no bom que seria se pudéssemos utilizar este método nas nossas coisas materiais, por exemplo, quando não sabemos do relógio, do livro, da chave do carro… em poucos segundos já saberíamos do seu paradeiro!

Certamente o teria aproveitado um jovem, que buscava obstinadamente o segredo da felicidade.

Já havia viajado por muitos reinos, falado com muitos sábios, porém, até aquele momento não havia resposta que o satisfizesse.

Um dia, após longa viagem pelo deserto, chegou a um belo castelo no alto da montanha.
Lá vivia um sábio, que o rapaz ansiava conhecer.

Ao entrar, viu muito movimento. Mercadores entravam e saíam, pessoas que conversavam pelos cantos e uma pequena orquestra que tocava melodias suaves.
De longe avistou o sábio, que conversava calmamente com todos os que o procuravam.

Foi preciso esperar duas horas até chegar a vez de ser atendido.
O sábio ouviu-o com atenção e disse-lhe com serenidade que naquele momento não poderia explicar-lhe qual era o segredo da felicidade.
Sugeriu que o rapaz desse um passeio pelo palácio e voltasse passado duas horas.
“Entretanto, quero pedir-lhe um favor” – completou o sábio, entregando-lhe uma colher de chá, na qual deitou duas gotas de óleo.
“Enquanto for andando, leve esta colher sem deixar cair o óleo”.

O rapaz pôs-se a subir e a descer as escadas do palácio, mantendo sempre os olhos fixos na colher.
Ao fim de duas horas, voltou à presença do sábio.

“Então?” – perguntou o sábio – “viu as tapeçarias da pérsia que estão na sala de jantar? E o jardim? Foram precisos dez anos para o plantar!
Reparou nos belos pergaminhos da minha biblioteca?”

O rapaz, envergonhado, confessou não ter visto nada disso.
A sua única preocupação tinha sido não deixar cair as gotas de óleo que o sábio lhe havia confiado.

“Então volte e tente perceber a beleza que adorna a minha casa” – disse-lhe o sábio.
Já mais tranquilo, o rapaz pegou na colher com as duas gotas de óleo e voltou a percorrer o palácio, desta vez apreciando todas as obras de arte.
Viu os jardins, as montanhas ao redor, a delicadeza das flores, observando todos os detalhes possíveis.

De volta à presença do sábio, relatou pormenorizadamente tudo o que vira.
“E onde estão as duas gotas de óleo que lhe dei?” – perguntou o sábio.
Olhando para a colher, o rapaz percebeu que as havia deixado cair.

“Pois este, meu rapaz, é o único conselho que tenho para lhe dar: – disse o sábio – o segredo da felicidade está em saber admirar as maravilhas do mundo, sem nunca esquecer as duas gotas de óleo na colher”.

Nesta azáfama de tudo querer encontrar não esqueçamos o que nos diz o Evangelho de S. Lucas: «Não vos inquieteis com o que haveis de comer ou beber, nem andeis ansiosos, pois as pessoas do mundo é que andam à procura de todas estas coisas; mas o vosso Pai sabe que tendes necessidade delas. Procurai, antes, o seu Reino, e o resto vos será dado por acréscimo. (Lc 12, 29-31)

Tudo passa, o Pai Natal, a Popota, a Leopoldina…, mas Deus não muda.

Que o Menino Jesus nos oriente na escolha daquilo que vamos encontrando.
Menino Jesus de Praga, sê jovem na nossa juventude.

jmjp@santuariomeninojesus.org

(Mensageiro nº 161 Novembro-Dezembro 2009)

 

|Lista de temas | |