Em plena era tecnológica apraz-me abordar um tema a ela associado – o download.
Com o advento da internet surgiram novas palavras e expressões que sem nos apercebermos já fazem parte do nosso dia-a-dia e assim acontece com este termo.
O que vem a ser o download? Resumidamente, entende-se por download a transferência de ficheiros de um computador remoto para outro computador. Abrir uma página na Internet, ver o e-mail, copiar um ficheiro… são tudo exemplos de download. Desta forma temos a possibilidade de guardar determinado conteúdo no nosso computador e usá-lo quando bem entendermos.
Os chamados discos rígidos para armazenamento de dados estão a um preço relativamente baixo e são cada vez de maior capacidade, podendo satisfazer as nossas actuais necessidades, ou mais ainda.
É bom ter preços baixos, mas quanto mais espaço existe disponível, menos critérios se utilizam no armazenamento de dados e, por vezes, guardamos o que interessa e o que é menos importante.
Parece que há um desejo enorme de ter tudo, porque não sabemos se um dia poderá ser preciso: músicas, vídeos, fotos, textos… e um sem número de coisas digitais, que gostamos de possuir, e de que a Internet é uma fonte quase inesgotável.
Por vezes há “um azar” – o aparelho avariou! Deitamos as mãos à cabeça porque se perdeu tudo e, “por azar”, não tínhamos feito cópias de segurança.
Agora imagina que tinhas a possibilidade de entrar num site e fazer download da fé…
Repara no interesse que isso podia ter. Descarregar Gigabytes de fé, levá-la sempre contigo, copiá-la para outros amigos, enfim, um sem número de coisas para te ajudar a viver a fé. Possivelmente com tanta fé era difícil cair em tentação.
Agora que leste esta ideia, talvez tenhas ficado a pensar no que farias se de facto houvesse esta opção? Deixa-me ajudar à tua reflexão, com algumas questões: Qual seria o melhor formato de ficheiro para a fé? Tinhas espaço de armazenamento disponível? Estarias interessado ou não nesta ideia?
Se é verdade que não podemos fazer o download da fé, podemos, no entanto, usar estes meios modernos para a alcançar ou fortalecer. A Bíblia é uma das fontes genuínas a que podemos recorrer, e nos dias que correm já a podes consultar online.
Assim como a Bíblia está online, existe um vasto número de outros sites – credíveis – onde podes aprofundar e rejuvenescer a fé que existe dentro de ti.
Deus dá-nos os meios, há que usá-los. E para guardar toda esta informação não há nada melhor que o coração humano.
Depois de teres conseguido um bom armazenamento de fé, não te esqueças de a pôr em prática, não vá suceder como ao homem da história que vou contar-te.
Certo alpinista, desejoso de escalar uma altíssima montanha, iniciou a difícil subida depois de anos de preparação. Como queria a glória só para si, optou por ir sem companheiros.
Começada a ascensão, o tempo foi passando. Desejoso de avançar o mais possível logo no primeiro dia, nem reparou que se ia fazendo tarde. Em vez de preparar-se para acampar, a fim de recuperar forças e prosseguir o esforço no dia seguinte, tomou antes a decisão de continuar a subida enquanto pudesse ver alguma coisa.
Entretanto, fez-se noite muito escura sobre toda a montanha, e o alpinista ficou sem ver absolutamente nada. Tudo era negro à sua volta. Até a lua e as estrelas ficaram escondidas pelas nuvens. Mesmo assim continuou a subir por uma encosta.
Quando faltavam apenas alguns metros para atingir o cimo, escorregou e precipitou-se no abismo, caindo a uma velocidade vertiginosa. Com a terrível sensação de estar a ser sugado pela gravidade, continuou a cair. Nesses breves momentos de angústia, passaram-lhe pela mente todos os episódios felizes e não tão felizes da sua vida.
De repente, sentiu o fortíssimo aperto da grossa corda que o amarrava da cintura às estacas cravadas na rocha da montanha.
Nesse momento de quietude, suspenso no ar, não lhe restou mais que gritar:
– Ajuda-me, meu Deus!!!
Então, uma voz grave e profunda vinda dos céus perguntou-lhe:
– Que queres que Eu faça?
– Salva-me, meu Deus – respondeu o alpinista.
– Realmente crês que Eu te posso salvar?
– Com certeza Senhor.
– Então corta a corda...
Houve um momento de silêncio..., e o homem agarrou-se ainda mais à corda...
Conta a equipa de resgate que no outro dia encontraram um alpinista pendurado, morto, congelado, com as mãos fortemente agarradas à corda... a apenas dois metros do solo!
Não basta dizer que temos fé. É necessário em cada dia dar provas daquilo em que acreditamos.
Disso nos fala São Tiago: «De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: «Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome», mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se não tiver obras, está completamente morta» (Tg 2, 14-17).
Que o Menino Jesus nos ajude a fazer uma boa gestão da nossa fé para dela darmos boas obras.
Menino Jesus de Praga, sê jovem na nossa juventude.
jmjp@santuariomeninojesus.org
(Mensageiro nº 163 Março-Abril 2010)
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