Homília na Eucaristia da XXVI Peregrinação Nacional

Queridos devotos e amigos do Divino Menino Jesus de Praga

«Quando se completaram os oito dias para o Menino ser circuncidado, deram-Lhe o nome de Jesus, indicado pelo Anjo, antes de ter sido concebido no seio materno» (Lc 2, 20). Dar o nome a uma pessoa é um gesto que fica para toda a vida. Cada um de nós leva consigo a história do seu nome e da sua família. O nome não se muda, é para sempre, ainda que haja outros nomes exactamente iguais. Na mesma família os nomes não se repetem porque os nomes são únicos e definem a pessoa. Foi assim com Jesus: «Deram-lhe o nome de Jesus, indicado pelo Anjo, antes de ter sido concebido no seio materno». Aquele nome, muito habitual em Israel, foi indicado pelo Anjo tanto a Maria como a José. Estes limitaram-se a dar ao Menino o nome que lhes tinha sido indicado. Jesus significa salvador. Os seus pais entenderam que aquele Menino era diferente dos outros meninos. Os meninos nascem dum homem e duma mulher e aquele Menino era Filho de Deus e da Virgem Maria. Tinha sido concebido pelo Espírito Santo que é Deus também. Aquele Menino era Deus e homem porque Filho de Deus e duma mulher. Era Deus em corpo humano. Era a salvação de Deus para o homem. O seu nome dizia o que era: o salvador enviado por Deus aos homens. Por isso nós cantávamos no Salmo: «Bendito seja o nome do Senhor para sempre». «Louvai, servos do Senhor, / louvai o nome do Senhor. / Bendito seja o nome do Senhor, / agora e para sempre. // Desde o nascer ao pôr do sol, / seja louvado o nome do Senhor. / O Senhor domina sobre todos os povos, / a sua glória está acima dos céus. // Quem se compara ao Senhor nosso Deus, / que tem o seu trono nas alturas / e Se inclina lá do alto / a olhar o céu e a terra? » (Salmo 112). É assim o nosso Menino Jesus, seja assim a nossa oração.

A nossa peregrinação ao Menino Jesus pretende imitar o gesto dos pastores que se dirigiram apressadamente para Belém, porque uns anjos O tinham anunciado. Na gruta encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. Aparentemente era tudo normal: um homem, uma mulher e o filho recém nascido. Eram pobres, não tinham encontrado lugar na hospedaria. Os pastores que habitavam naqueles lugares alegraram-se com a presença daqueles peregrinos. Eles não os conheciam, mas quando viram o Menino, começaram a contar o que os anjos lhes tinham anunciado. Ficaram a saber e contavam aos demais o que sabiam acerca daquele Menino. E todos os que davam ouvidos à voz daqueles pastores admiravam-se do que eles diziam, porque eram gente simples e diziam coisas importantes. O evangelho dizia que Maria conservava todas aquelas palavras, «meditando-as em seu coração». Ou seja, a Mãe de Jesus não falava do Menino, mas mostrava-O e contemplava-O sem dizer palavras. E José, esposo de Maria, fazia como ela. Aquele cenário do presépio de Belém, em que uns falavam e outros contemplavam, inspira os nossos gestos: uns falamos do que ouvimos dizer e os nossos olhos confirmam, e outros contemplamos o que os nossos olhos veem e os nossos ouvidos ouvem. O nosso Menino é único. Não há outro como Ele. Há muitos meninos prodígios, mas o nosso Menino Jesus é divino e milagroso. Gostamos de o ver no seu andor, mas onde Ele é mais lindo é no altar nosso coração e nos olhos que O reconhecem menino em cada criança e em cada ser humano. A beleza do Menino Jesus não está no manto que O veste, mas no seu divino corpo gerado pelo Espírito Santo. Maria e José calaram o que não sabiam dizer, mas que bem entendiam. Os pastores falaram do que tinham ouvido dizer aos anjos, mesmo sem entenderem quem eram os anjos e aquele Menino. Cada um responde conforme pode e sabe expressar-se. Por fim, os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado. Este gesto deve inspirar também a nossa peregrinação.

Estamos a honrar o nome de Jesus na festa anual deste Santuário que Lhe é dedicado. O diálogo entre Deus e Moisés, que escutámos na primeira leitura (1 Ex 3, 11-15), revelam-nos o sentido disto. Deus conhece a escravidão do seu povo no Egipto e quer libertá-lo por meio de Moisés para o conduzir à terra prometida. «Moisés disse a Deus: “Vou então procurar os filhos de Israel e dizer-lhes: ‘O Deus de vossos pais enviou-me a vós’. Mas se me perguntarem qual é o seu nome, que hei-de responder-lhes?”. Deus disse a Moisés: “Eu sou ‘Aquele que sou’”. Assim falarás aos filhos de Israel: ‘O Senhor, Deus de vossos pais, Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob, enviou-me a vós’. Este é o meu nome para sempre, assim Me invocareis de geração em geração». Moisés libertou o povo de Israel do Egipto como figura de Jesus que nos havia de libertar da escravidão do pecado. São os nossos pecados que tornam a nossa vida escrava. Temos de nos entender com Jesus como Israel se entendeu com Moisés. Ninguém nos pode salvar senão Jesus. As nossas tribulações bem podiam ser consolações. As tentações dos falsos libertadores é uma constante da vida humana. As ilusões desta vida conduzem-nos a grandes desilusões e sofrimentos e becos sem saída. O Menino Jesus é o único que nos pode salvar. E por que motivo O invocamos como Menino ? Porque Ele começou por ser menino e experimentou na sua infância a dependência de tudo e de todos. Se começarmos pela sua santa infância, Ele nos fará crescer até ao estado de homens e mulheres adultos e responsáveis. Por isso recordamos nesta peregrinação os mistérios da infância de Jesus e peregrinamos por entre eles para neles encontramos as bênçãos do Menino Jesus que nas suas aparições em Praga nos recomendava: «Quanto mais Me honrardes mais vos favorecerei». A sua promessa é para cumprir também este ano e nesta peregrinação.

Sabeis, queridos peregrinos, que o Santo Padre o Papa Bento XVI, que no mês passado nos visitou, também visitou o Santuário do Menino Jesus de Praga, em 26 de Setembro do ano passado (aquando da sua visita à República Checa), para rezar diante da sua imagem e oferecer-Lhe uma coroa. Terminamos este momento de meditação com a oração que o Santo Padre então rezou ao Menino Jesus de Praga:

«Senhor Jesus,
nós Vos contemplamos menino
e acreditamos que sois o Filho de Deus,
feito homem pelo poder do Espírito Santo no seio da Virgem Maria.
Como em Belém, também nós,
com Maria, José, os Anjos e os pastores,
vos adoramos e vos reconhecemos como nosso único Salvador.
Vós fizestes-vos pobre para enriquecer-nos com a vossa pobreza;
fazei que nunca esqueçamos os pobres e todos aqueles que sofrem.
Protegei as nossas famílias.
Abençoai as crianças do mundo inteiro;
fazei que, entre nós,
reine sempre o amor que nos oferecestes
e que torna a vida mais feliz.
Ó Jesus,
fazei que todos reconheçam a verdade do vosso Nascimento
para que todos reconheçam
que viestes trazer à humanidade inteira a luz, a alegria e a paz.
Vós que sois Deus, e viveis e reinais com o Pai,
na unidade do Espírito Santo, pelos séculos dos séculos. Amém.»


Para ouvir a Homília clique no ícon abaixo:

 

| 2010-06-06 |

 

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