A devoção ao Menino Jesus de Praga – II

Encontro da imagem
Foi precária a paz de 1635 que trouxe os Carmelitas ao seu antigo convento, quase todo ele em ruínas. Por falta de meios e de pessoal, foram demorados os trabalhos de restauração, empreendidos por sua vez num ambiente de insegurança e timidez, provenientes da presença dos protestantes. Os religiosos, sumidos na mais espantosa miséria e reduzidos à extrema indigência, erguiam ao céu as mais ardentes súplicas a fim de obter uma verdadeira paz e alívio nas terríveis dificuldades que estavam atravessando. Os seus pedidos – com grande espanto dos religiosos – não eram atendidos no céu. O que esclareceu esta confusa e difícil situação foi a vinda do P. Cirilo da Mãe de Deus em 1637, que outrora tinha estado no Noviciado de Praga, e que era devotíssimo do Menino Jesus. Este santo religioso, compreendendo que Deus não queria abençoar a comunidade e a cidade enquanto o Menino Jesus não fosse honrado como merecia, pediu ao Superior licença para procurar a imagem do Menino Jesus, dizendo-lhe: «Se nós O honrarmos de novo, Ele nos dará segurança». Obtida a licença, após reiterados esforços tem a grande felicidade de encontrar a tão desejada imagem atrás do altar.

Fala a imagem
Logo que foi colocada no coro a imagem veneranda, entre cânticos e lágrimas dos religiosos, o inimigo, que durante seis longos anos tinha cercado a cidade de Praga, levanta o cerco; e o convento, que vivia sumido na mais desoladora miséria, vê-se provido do preciso para viver com desabafo. Estes dois factos foram o princípio duma nova era no culto da santa imagem e o início de outros inúmeros prodígios e favores.Os bons religiosos recorriam em tudo ao Menino Jesus e, movido por especial fervor, o venerando Padre Cirilo passava horas e horas em oração diante do seu Reizinho. Um dia em que estava ajoelhado para Lhe tributar as suas homenagens, ouviu claramente a voz do Menino Jesus que lhe diria: «Tende piedade de Mim, e Eu terei piedade de vós; restituí-Me as minhas mãos, e Eu vos darei a paz. Quanto mais Me honrardes, mais Eu vos favorecerei».Estas ternas palavras, que encerram três belas promessas, são a garantia mais segura para as almas que a Ele recorrem em demanda de paz para os seus espíritos atribulados e de bênção para as necessidades espirituais e materiais.Reparação da imagemO Venerável Padre Cirilo recorreu logo ao Superior, certo de que a imagem ia ser consertada, mas o Superior entendeu que uma estátua mais bonita e mais rica seria melhor, e por isso a antiga foi posta de lado. O P. Cirilo teve que obedecer, mas Deus manifestou o seu descontentamento. No mesmo dia da inauguração da nova imagem, um candelabro chumbado na parede desprende-se repentinamente e reduz a mil pedaços a imagem; ao mesmo tempo caía o Superior gravemente doente não podendo acabar o seu triénio de mandato.Nomeado o novo Prior, o zeloso P. Cirilo pede-lhe imediatamente que mande reparar as mãozinhas do Menino Jesus mutilado, mas ouve esta resposta desconcertante: «Não podemos fazer esta despesa agora em que o restauro da Igreja e do convento exige gravíssimos sacrifícios». Mas a palavra de Deus, embora Menino, é omnipotente, e Ele não deixará de realizar os seus altíssimos desígnios. A comunidade volta a cair na miséria, a peste assola a cidade, alguns religiosos morrem vitimados pela peste e o próprio Prior fica gravissimamente atingido, em perigo de morte. E então, de acordo com a comunidade, manda celebrar dez missas diante da imagem do Menino e propagar a sua terna devoção. Cumprida a promessa das dez missas, fica curado e, quer o Prior, quer os outros religiosos, depositaram a sua confiança no Milagroso Menino Jesus.

A imagem, porém, não foi reparada, e muitas vezes o P. Cirilo desabafava a sua dor aos pés do Divino Infante, até que um dia ouve a mesma voz dizer-lhe: «Põe-Me à entrada da sacristia e alguém terá piedade de Mim». O Padre obedeceu logo, e a antiga imagem, com as mãos quebradas, foi colocada à entrada da sacristia. Um estrangeiro, chamado Daniel Wolf, quis tomar à sua conta a restauração da imagem e foi imediatamente favorecido por Deus. Este estrangeiro vergado ao peso dum processo, porque o acusavam de desempenhar mal as suas funções de Comissário de guerra, perdera já o seu lugar e ia ficando arruinado. Logo que se encarregou da restauração da imagem, o processo foi arquivado, mereceu as graças do Soberano e a sua fortuna restabeleceu-se.

 

| 2012-04-03 |

 

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